Tuesday, November 17, 2009
Friday, October 16, 2009
FUCK IT!
Não é o dinheiro na conta bancária, pronto embora ajude claro e uma pessoa precisa de sobreviver,
Não é o dia-a-dia frenético de gente humanamente cinzenta,
não é o trabalho,
não são os telefonemas constantes a pedir mais uma informação, mais um recado para fazer,
que se lixem os pedidos às mijinhas, porque é que não se pede logo tudo de uma vez,
que se lixe quem só vive do trabalho e quer fazer dos outros à sua imagem,
não preciso de mais mãezinhas e paizinhos, já tenho uma mãe e um pai e chegam-me,
que se lixe o ruído de fundo de quem stressa à minima coisa,
que se lixe o céu cinzento,
que se lixe o vizinho de cima com a porcaria das obras,
que se lixe o Lulu que deixa os seus dejectos plantados por toda a calçada,
que se lixem as obrigações!
é urgente rir,
é urgente chorar,
é urgente sonhar,
é urgente acordar,
é urgente sentir,
é urgente VIVER!
e o resto que se lixe!
Monday, September 07, 2009
How Fragile We are
Alarm clock sets off at a stupidly early time
we take more or less 20 minutes to budge a centimeter out of bed
quick leap into the shower to cool off drowziness
with towel on, now chosing the clothes (damn i have nothing to wear. everyone at work already knows my closet. great...)
end up chosing the easiest and quickest: some jeans and a shirt.
some sneakers or some shoes, doesn't matter as long as stocking or socks actually do match.
now comes the kitchen. grab some juice out of the fridge. some crackers of a slice of bread and with it still in the mouth. out the door.
trying to go against traffic jams and rush hour but it seems more morons drive or actually more animals now own a private vehicle. try to wonder off pointless thoughts with some music...
music... what makes me go through the day...
if we only thought about life as a musical sonet. but we don't. and it's only when she crashes into us that we take a closer look. that we put everything in perspective, that we see, that we smell, that we feel, that we taste. most of the days is just numbness because you can't yell to those you wished, you can't say exactly what is going on in your head ( i can't heat those ideas, i can't put my head that far up my ass), you can't say "go fuck yourself, good morning" in the same phrase...
it's like you have a part in a written script but you are not the author. some dimwit writer wrote the most nonsense lines for you.
yes sir. no sir. certainly. right away. in a minute (exact one minute). of course, it would be my pleasure (while the door closes and you stick up your middle finger...).
if you were the author it would me more like:
Yes sir, certainly, i will call you an asshole everytime you make me stapple 300 pages with a 5 cm stappler. and no sir i will not call the firemen when i set your car on fire. in a minute i will make you trip and blame it on the worn out stairs and won't go right away fetching for help. and of course, it would be my pleasure to say "sit and rotate" you demented fucking wanker fuck, go home and "#$%&/()=?=)(/& and all of the above.
But right then and now you would get sacked and you have to live out of something. But then you end up every single day repeating the same exact thing. alarm clock sets off... etc etc etc
and then when you actually wake up, you wasted most of your life not following your heart.
you can survive with little, if not because you end up with so much less...
If only we could wake up before it's too late.
If only "they" would let us...
If...
oh how fragile we are..."
Brainworm
Sunday, August 30, 2009
alice
nada disse em voz alta.
nada conversei.
nada escrevi.
cada vez mais o tempo passa e cada vez mais se me escapa ao controlo.
sempre tive a mania que conseguia manipular as coisas a meu favor, que tinha de algum modo os fios na minha mão, como um marionetista. mas a cada novo dia a marioneta sou eu. num palco para onde me deixei empurrar, para uma personagem que não quis nem quero interpretar, para um texto que nada me diz.
como pode a vida permitir tanto e ao mesmo tempo tão pouco?
como pode um instante ser tudo e nada em simultâneo?
como pode um coração bater em bom compasso e de repente desenvolver uma arritmia?
é a injustiça tecido nesta manta de retalhos diária? ou será o roubo?
de uma personalidade, de uma identidade, de várias?
como é possível que os direitos sejam apenas teóricos e ganhem mofo nas alienas de cada artigo no código social? ou pelo menos assim nos fazem crer. como marionetas.
os que ousam ter voz, os que ousam cortar com os fios, ganham a voz e sofrem....
sofrem por terem de se engasgar, vezes sem conta, de propósito.
sinto falta de liberdade.
será que ainda existe?
ou terá sido ela sempre utópica ?
seremos realmente livres? ou estaremos eternamente confinados a um espaço e a um tempo que nunca é nosso?
resta-me o tempo em que escapo. fujo. como a alice.
tumbling down the rabbit hole..."
Vesper E
Sunday, June 07, 2009
quando deixas de fazer tanto ruído, mente minha?
queria poder mandar tudo à fava, mas a responsabilidade que vem com o rito de passagem à idade adulta, não me permite. sinto a força da obrigação entranhada no corpo, cravando os seus espinhos cada vez mais fundo. ouço vozes que me dizem para encontrar o equilíbrio, para não me deixar consumir. é mais fácil dizê-lo que fazê-lo. Ser actor consome. Quando se vive muito tempo dentro de uma personagem acaba por se perder qualquer contacto com quem se é. A ficção conquista terreno à realidade e de um momento para o outro, o que é real? Ser um mero automato ou libertar toda a raiva que corre nas veias e ser livre? Ou pior, será que podemos ser realmente livres?
Com o tempo, vemos os sonhos serem corroidos pela massa amorfa da obrigação. A energia que poderiamos colocar nessa luta, é-nos retirada para representar essa personagem que já faz parte de nós. Um alguém em que nos transformámos, que nos deixou afastados de quem somos. Como recuperar energia se as reservas estão no limite e as exigências do papel diário se mantêm?
Não consigo olhar para os rostos sem sentir um aperto no estômago, como se um vómito tomasse conta das minhas entranhas. As suas vozes enervam-me, a sua falta de espinha dorsal enfurece-me.
No meu tempo livre, tento recuperar algum do tempo perdido. Mas será suficiente? Não será como o sono perdido? Que depois das horas deitadas fora, demora o dobro do tempo a conseguir restituir alguma da sua sanidade?
O peso no peito é constante. A mente não descansa. Não desliga. No sono não encontro descanso.
Queria poder libertar-me, rebelar-me e dizer o que realmente penso, e não engolir o ácido que me sobe do estômago e me deixa este gosto amargo na boca.
Queria volta a ser inocente, mas as farpas que me cravaram não deixaram espaço para grande coisa.
Não sei se é pouco se é muito, mas não perco a esperança. Luto por ela. Adoço o sabor amargo com abstrações, imagino os actores da minha paisagem diária como fantoches. Observo os fios que lhes condicionam as pernas, os braços, a cabeça, o cérebro. E liberto-me. Não tenho fios.
Represento, mas não tenho fios.
não quero perder isso.
luto. e sonho que amanhã terei silêncio..."
Monday, June 01, 2009
ser ou não ser: intensidade...
Com o tempo, desencanto após desencanto foi criando outras estórias, reais. Porque ideais existem, mas o ideal é algo de inconcreto e inatingível. Diariamente se degladiava com a sua forma de sentir as coisas, tão forte, tão viva, tão visceralmente diferente dos demais. Já tentara anestesiar essa intensidade com que dava atenção aos pormenores. Essa intensidade que depositava em cada berro, cada abraço, cada beijo, mas em vão. Também era verdade que as barreiras a que se colocara acabariam por fazer a selecção natural.. Só os mais resistentes, os mais persistentes conseguiriam sentir essa intensidade. E mesmo assim, é dificil compreender algo tão indefenível como "intensidade".
Queria poder deixar de sentir, assim, porque na imperfeição dessa forma de sentir, sente todos as arestas, todas as rugosidades, todos os defeitos, seus.
A capacidade que tanto lhe permitira criar estórias, trazia-lhe as garras afiadas da sua profundidade. E tudo se cravava fundo.
Queria acordar um dia e ouvir novamente o refrão, para lhe refazer as palavras que desapareciam na sua incapacidade de as exprimir. Queria sentir essa intensidade, em vez de a dar.
Procurava nas imperfeições uma forma de conseguir explicar-se.
Procurava-se.
Numa nota músical, sem refrão.
Em silêncio.
Não queria ser coerente, não o era de forma alguma. Queria apenas um pouco daquela intensidade à flor da pele, senti-la na sua, sem projectar noutros. Sentir, sem ser sentida..."
Vesper E
Wednesday, May 13, 2009
hoplessness
ouvi pela primeira vez na RADAR, no desvio de Viriato 25...
Uma música de desvios, caminhos laterais, paralelos à auto-estrada. O caminho menos percorrido e que, fruto dos tempos, deixa estranheza na pele de quem ainda não se habituou à auto-estrada diária, de vidas a alta velocidade...
uma voz soturna, como esse caminho, iluminado por candeeiros de rua. luz amarelada, alanrajada, presença constante nas interrupções do meu pensamento, nas suas rupturas internas, nos seus desvarios, na sua voz ensurdecedora. faz frio. tenho frio. na minha cabeça. falta o calor de me sentir bem, de não sentir que tudo me pressiona a volta. quanto mais me gritam, menos eu ouço. quanto mais me querem outra, menos eu sou. quanto mais me empurram, mais eu caio. chega! chega desta animalidade de moldar as pessoas a supostos, chega de querer a perfeição, essa imagem criada à semelhança, chega de dever, de ter de ser, chega ! parar. é só o que quero, parar.
e ninguém me ouve.
apenas sigo a estrada, por esse caminho menos percorrido e ouço, o som de Blood Bank, uma música cheia de complexidades antagónicas, como eu. não sabia que tinha de ser linear.
chega!
agora é a minha vez, de ouvir.
